Dólar comercial x dólar turismo: qual usar (e quando)?
Não é “um dólar só”: existem cotações diferentes no Brasil. Entenda por que o dólar turismo costuma ser mais caro, quando o dólar comercial aparece nas notícias, e como calcular o custo real em viagem, compras internacionais e remessas.
A confusão mais comum: “por que o dólar da casa de câmbio é maior que o do noticiário?”
Se você acompanha o dólar no jornal, normalmente está vendo o dólar comercial. Já quando você vai comprar moeda em espécie (ou fazer operações ligadas a viagem), aparece o dólar turismo. E sim: o turismo quase sempre é mais caro.
A diferença acontece porque as duas cotações servem a finalidades diferentes e embutem custos e riscos distintos (logística de papel-moeda, segurança, estoque, spread maior, etc.).
O que é dólar comercial?
O dólar comercial é a cotação usada principalmente em operações de maior volume entre bancos, empresas e mercado financeiro: importação, exportação, contratos, grandes transferências e referência para vários preços e análises.
Ele costuma ter spread menor (diferença entre compra e venda) do que o turismo, porque é um mercado mais “líquido” e padronizado, com grande volume de negociação.
- Onde você vê: jornal, sites de finanças, telas de mercado.
- Para que serve: referência macroeconômica e operações financeiras/comerciais.
- Quem usa mais: empresas, bancos, importadores/exportadores.
O que é dólar turismo?
O dólar turismo é a cotação aplicada em operações voltadas ao consumidor final, especialmente quando existe entrega de moeda física ou quando a operação envolve custos adicionais e mais risco para quem vende. É comum em casas de câmbio e serviços de câmbio “varejo”.
Ele tende a ser maior porque inclui:
- Logística e estoque (transportar, armazenar e manter moeda em espécie).
- Risco e volatilidade (o preço pode mudar rápido e o vendedor se protege).
- Spread maior (margem da operação no varejo).
- Custos operacionais (segurança, taxas, compliance).
A diferença real na prática
Vamos imaginar (valores ilustrativos) que:
- Dólar comercial: R$ 5,00
- Dólar turismo: R$ 5,25
Se você comprar US$ 1.000:
- No comercial (referência): 1.000 × 5,00 = R$ 5.000
- No turismo: 1.000 × 5,25 = R$ 5.250
Só aí já dá R$ 250 de diferença — e ainda nem entramos em impostos e tarifas.
Quer calcular com o valor do dia e com outros montantes? Use o Conversor de Moedas.
Qual dólar eu uso em cada situação?
Um jeito rápido de decidir é pensar assim: notícia e mercado → comercial; viagem e varejo → turismo. Mas existem nuances. Veja o mapa prático:
| Situação | Qual costuma aparecer | Observação importante |
|---|---|---|
| Noticiário / cotação “do mercado” | Comercial | É referência, não necessariamente o preço que você paga. |
| Comprar dólar em espécie (casa de câmbio) | Turismo | Geralmente inclui spread maior e custos do papel-moeda. |
| Cartão em viagem / compra internacional | Depende do emissor | Costuma usar referência de mercado + spread + IOF. O “custo final” manda. |
| Transferência/remessa internacional | Mais próximo do comercial | Pode haver taxas e spread. Compare o valor final em reais. |
| Hotel/loja que cobra em dólar no Brasil | Definido pelo vendedor | Às vezes usam “dólar turismo” ou um câmbio próprio. Peça a regra. |
O que é spread (e por que ele muda tanto)?
Spread é a diferença entre o preço que a instituição compra e o preço que ela vende a moeda. Na prática, é parte da “margem” e também uma proteção contra risco.
O spread pode variar por:
- Forma de pagamento: espécie, cartão, transferência.
- Valor da operação: quanto maior, às vezes menor o spread.
- Volatilidade do dia: em dias “nervosos”, o spread tende a abrir.
- Concorrência: locais com mais opções costumam ter spreads melhores.
Impostos e taxas: por que o “dólar final” pode ficar bem diferente?
Além da cotação (comercial/turismo), você pode pagar impostos e tarifas, dependendo do tipo de operação (cartão, remessa, câmbio em espécie, etc.).
Por isso, a pergunta mais inteligente não é “qual dólar é menor?”, e sim: qual é o custo final por dólar na prática?
- Cotação usada (turismo? comercial? “câmbio próprio”?)
- Spread (quanto acima da referência)
- Tarifas (fixas ou percentuais)
- Impostos (quando aplicáveis)
- Prazo (em remessas, o câmbio pode “travar” ou variar)
Cartão internacional: por que às vezes sai mais caro (ou mais barato) que espécie?
Muita gente compara “dólar turismo” com “dólar do cartão” como se fosse uma regra fixa. Mas o cartão pode envolver: taxa de conversão, spread do emissor e IOF. E a conversão pode acontecer no dia do fechamento, no dia da compra ou por regras do emissor.
Na prática, o cartão pode ser vantajoso pela comodidade e segurança, mas pode ficar caro se houver spread alto + IOF + conversão desfavorável.
Se você quer economizar, faça a conta do custo efetivo: valor em dólar × (cotação efetiva do cartão) = total em reais. Compare com o custo de comprar moeda/usar outra forma.
Remessa e transferências: normalmente seguem qual dólar?
Em remessas internacionais, a referência costuma ficar mais próxima do comercial, porque é uma operação “bancária” (sem moeda física). Ainda assim, existe spread e podem existir tarifas.
Duas regras de ouro:
- Compare sempre o valor final em reais (não só “a cotação anunciada”).
- Observe se existe taxa fixa (que pesa mais em valores baixos).
“Dólar PTAX”: onde entra isso?
Você pode ouvir falar em PTAX em contratos, bancos e algumas conversões. De forma simples, é uma taxa de referência calculada a partir de cotações informadas ao mercado em determinados horários. Ela é usada como base em várias operações e comparações.
Importante: PTAX não é, necessariamente, o preço que você vai pagar. O preço final ainda depende de spread, tarifas e regras da instituição.
Dicas práticas para economizar no câmbio
- Evite comprar tudo em cima da hora: com antecedência, dá para pegar melhores momentos.
- Divida o risco: comprar aos poucos reduz a chance de pegar um pico.
- Compare pelo custo final: cotação + spread + taxas + impostos.
- Desconfie de “câmbio bom demais”: pode ter tarifa escondida ou spread alto em outro ponto.
- Leve segurança em conta: espécie pode ser mais barata, mas tem risco físico.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual é “o dólar verdadeiro”?
Depende do contexto. O comercial é referência de mercado. O turismo é preço de varejo/viagem, geralmente mais caro.
Se o dólar comercial cair, o turismo cai na hora?
Nem sempre. O turismo pode demorar a refletir a queda por causa de spreads, estoques e custos.
Qual é melhor: cartão ou dinheiro em espécie?
Depende do spread e dos custos (incluindo IOF). Compare o custo efetivo e considere segurança/aceitação no destino.
Por que a casa de câmbio compra mais barato do que vende?
Isso é o spread. Ela precisa de margem e proteção contra risco/volatilidade e custos operacionais.
Conclusão
O dólar comercial é a referência do mercado e aparece nas notícias. O dólar turismo é o câmbio mais comum para pessoa física em operações de viagem e moeda em espécie — e costuma ser mais caro.
Para escolher bem, foque no que realmente importa: o custo final (cotação + spread + taxas + impostos). E sempre que tiver dúvida, transforme tudo em reais para comparar “maçã com maçã”.
Quer fazer a conta com o valor do dia? Use o Conversor de Moedas.